sábado, 13 de julho de 2013

Ibercup avec Paris Saint-Germain


Bem estou de volta a casa, depois de uma grande semana de trabalho de voluntariado.
Durante uma semana estive a trabalhar num torneio internacional de futebol, que se chama Ibercup, estive a trabalhar com a equipa do Paris Saint-Germain.
No inicio estava um pouco assustada, porque diziam que a equipa do PSG, era uma equipa rebelde, uma equipa de pessoas completamente malucos e tal, mas quando cheguei ao aeroporto, encontrei uma equipa completamente estável e com miúdos e dirigentes super educados, que desde o primeiro minuto me trataram como deve de ser, não tinha nada a reclama.
durante a semana apaixonei-me pelos miúdos, pelo seu jogo, apaixonei-me pelo futebol. 
pude ver pequenas estrelas a crescerem, miúdos a jogarem a bola como se já fossem pessoas adultas, pude partilhar alegria de um golo marcado, de fazer uma táctica, de depois de uma derrota reunir numa roda e dar o incentivo, respirei o futebol juntamente com uma grande equipa.
agora os dias passam e sinto falta daquela sensação de estarmos a perder um jogo e marcarmos os dois golos da vitória, saudades dos meus pequenos acima de tudo.
depois desta semana levo uma grande experiência comigo, sei que um dia vou estar no estádio do Paris a ver aqueles miúdos a jogar na equipa principal daquele clube, porque muitos deles vão ser grandes jogadores, e sei que irei lá estar para poder aplaudir estes pequenos craques.
Foi uma semana de emoções únicas, de algo para uma vida.
Já tenho saudades de todos desde os pequenos aos grandes.
Mon petits superstars
Allez Paris 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Relato daquilo que Eu sou



Bem hoje olho para estes 12 anos que passei neste país e vejo que tudo mudou, que muitas pessoas mudaram, mas que eu principalmente mudei.

Deixei de ser a menina assustada, que tinha medo de todos que estavam a sua volta, deixei de ser aquela menina que quando era ameaçada punha-se num canto da sala de aula a chorar, deixei de ser aquela pessoa, que afastava todos os outros apenas para não se dar a conhecer, deixei de ser a estrangeira da turma, a baixinha, a ovelha negra de todos os locais onde ia, deixei de ser a pessoa que era agredida a toda hora, passei a ser eu mesma, passei a mostrar o que realmente sou, passei a mostrar aquilo de que eu sou feita, muitos gostaram, muitos odiaram, muitos criticaram, ou então muitos fingem que gostam; que conclusão posso tirar daqui ? é algo mais simples do que podia pensar.

Para quem não me conhece, o meu nome é Nilza Utali, sim Nilza, não Neuza como muitos a primeira pensam que eu sou, mas é algo que eu faço questao de corrigir logo de inici; tenho 21 anos, sou aquilo que sou porque quero não porque os outros querem que eu seja, porque para que conste tenho opinião própria.

Escrevo isto como uma pequena reportagem dos meus 13 anos em portugal, e pergunto-me o que mudou, a qual eu mesma sei dar a resposta.

Cheguei a Portugal em 2000, com apenas 8 anos de idade, muitos acham que com essa idade a adoptação, é algo mais fácil do mundo, mas aí é que se enganam, porque com essa idade, procuramos sempre ver o melhor nas pessoas, mas as pessoas com essa idade muitas delas, apenas querem se afirmar perante os amigos (sim começa cedo isso),e acabam por ser cruéis com os que não lhe fizeram mal, apenas procuram alguém com quem falar, com quem partilhar e com quem aprender.

Os primeiros 3 anos foram os mais complicados, porque foi o ano em que passei por todo tipo de coisas que possam imaginar, tal como agressões fisicas, psicologicas, onde chegava a sala de aula, o meu material era sempre encontrado vandalizado, estragado, no chão, algo que apenas acontecia comigo, e imaginam porque que tal coisa acontecia ? Não era porque eu era uma aluna de cor negra, mas sim pelo facto de ser carne nova no meio de tantos lobos, e era divertido fazer isso sabendo que eu não iria reagir, porque apenas estava a procurar o meu espaço.

Mas como toda a tempestade passa, o meu tempo chegou, depois de todo esse tempo que passei, foi meio que me tornei como meus colegas, porque quando eu era atacada, passei a responder aos ataques, isso faz com que eu me torne da mesma maneira que eles, o que fez mudar a minha maneira de ser, a minha maneira de pensar, passei sempre a pensar como todos aqueles que me agrediam, começei a achar piada nisso tudo, até que fui suspensa pela primeira vez da escola, por agressão a uma colega (sim isso dá que pensar), essa suspensão fez-me pensar, na pessoa que me estava a tornar, naquilo que poderia um dia vir a ser, e talvez tenha sido isso que me tenha dado a luz para procurar uma mudança.

A minha mudança começou quando eu reportava tudo aquilo que me acontecia, em cadernos, escrevia tudo, foi ai que comecei a perceber que não adiantava eu tentar ser aquilo que as pessoas queriam que eu fosse, teria que me afirmar como era de verdade, desta forma decide que devia me mostrar como realmente sou, e foi isso que realmente fiz, dei-me a conhecer perante toda gente, passei a ser amada, odiada, detestada, entre outras coisas, mas acima de tudo deixei de me esconder perante aquele estereotipo de pessoa que toda gente queria na realidade conhecer.

Por vezes quando mostramos aquilo que realmente somos muitas pessoas não acham piada, porque não eram nossos amigos, porque apenas queriam um esteriotipo de pessoa para apresentarem como um boneco que podem moldar como quiserem.

As vezes pergunto se mudares, se te mostrares como realmente és irás te dar mal ?
Não, não irás, irás sair por cima porque irás dar-te valor a ti mesma, deixar a tua personalidade sobressair, isso é o mais importante a cima de tudo, além disso tens que te sentir bem contigo mesmo, com aquilo que realmente és.

O engraçado nisto tudo, é que depois de todos estas coisas que me aconteceram, hoje dou por mim e olho naquilo que conquistei, nas amizades que conquistei, nas minhas conquistas pessoais, em tudo aquilo que fiz, apenas dando o melhor de mim, e não aquilo que as pessoas queriam que eu desse, esse sim foi a melhor coisa que tenho na minha vida, porque todos nós não conseguimos ter uma vida saudavel, sem termos pessoas que gostam de nós do nosso lado, por vezes mesmo que estejam longe, conseguem estar perto e preencher o nosso coração de uma forma unica, e para todos aqueles que amam sabem do que falo, porque nada melhor do que o amor dos nossos amigos para conseguirmos ultrapassar muitas coisas, mas claro há sempre aqueles que gostam de acabar com a nossa felicidade, a unica arma possivel para essas pessoas, é também demonstrar-lhes amor porque esse sim é a única arma possível para quem não tem algo verdadeiro na sua vida.

Eu dou graças  a deus por me ter posto muitas pessoas amaveis no meio caminho, porque como disse uma vez alguém muito inteligente que não me recordo o nome de momento “quem caminha sozinho pode ate chegar mais rapido mas quem vai acompanhado com certeza que chegará mais longe”, esta frase não podia ser mais do que verdade, quando estamos acompanhados, somos mais feliz, sentimo-nos muito melhor e mais completos.

São estas pequenas coisas que fazem com que muitas coisas façam sentido nas nossas vidas, e que nos ajudem a procurar a paz que necessitamos.

Como podemos ver, não precisamos de ser os agressores para chamar atenção dos outros, não necessitamos de estar num canto para ninguém saber que existimos, devemos sim ser apenas nós para que as pessoas possam realmente saber o que há em nós, para saberem se querem ou não fazer parte das nossas vidas, porque se deciderem fazer parte da nossa vida, é porque realmente gostam da nossa maneira de ser que não é necessário capas para nos escondermos, mas sim a nossa verdadeira cara para gostarem de nós.

Como normalmente digo, “Just Be Yourself”, e nada mais, apenas necessitas disso de seres tu mesmo para seres feliz, se realmente gostam de ti, é porque gostam da tua maneira de ser.

Eu sou como sou, se não gostas tens um bom motivo não estejas lá, porque aqueles que me amam estão lá todos os dias.

Nilza Utali   #15